07/08
Game para aprender filosofia

Filosofia pode ser um assunto que assusta muita gente. Só falar em “Sócrates” ou “existencialismo” e o pessoal já corre, ainda mais quando se lembra de livros imensos daquela linguagem pouco acessível. Procurando ensinar filosofia de uma maneira divertida, a Superinteressante lançou um game que promete divertir muita gente (principalmente os amantes de jogos consagrados de luta como Street Fighter e Mortal Kombat). Trata-se do Filosofighters.

– Jogue o Filosofighters no site da Super!

game filosofiaA ideia é simples: nove filósofos emblemáticos da história, como Karl Marx, Jean-Paul Sartre e Nicolau Maquiavel, duelam em uma luta que os idealizadores chamam de “batalha de ideias”. O mais legal do conteúdo é que cada personagem tem dois golpes especiais, que remetem aos conceitos trabalhados em seus estudos.

Friedrich Nietzsche, por exemplo, o famoso filósofo alemão que tratou de valores e moralidade em seus estudos sobre o ser humano, tem dois golpes especiais: “Deus está morto” e “O Super-Homem”.

“Deus está morto” faz referência à fala de Nietzsche em “Assim Falou Zaratustra”. Para ele, a crença em Deus não tem sentido e que, sem religião, o homem pode conhecer o valor deste mundo e assumir sua própria liberdade.

Então? Vamos embarcar nessa?

Que comecem os jogos!

31/03
Dica do professor Wagner: filme O Preço do Amanhã e curiosidade aristotélica

O professor Vagner, de filosofia e sociologia, produção um texto muito interessante sobre curiosidade filosófica e, de quebra, ainda deu uma super dica de um filme. Boa leitura!

Aristóteles pesquisou muitas coisas, inclusive os insetos. O filósofo notou que eles têm o corpo separado em três. Aristóteles escreveu detalhadamente sobre os diversos elementos da história natural dos insetos. Isso tudo permaneceu praticamente sem qualquer atenção até 1.600! Foi só então que o pesquisador Ulisse Aldrovandi lançou a obra De animalibus insectis (Tratado dos insetos).

Dica de Filme: O Preço do Amanhã
Esse filme é uma ficção científica de boa originalidade. Com o cantor Justin Timberlake, essa película surpreende por ser mais parecida com antigos filmes de ficção. Até os veículos são antigos, apesar dos seus roncos futuristas. O personagem e protagonista Will é um cara pobre que precisa trabalhar para sobreviver, literalmente, pois nesse mundo em que vive há um relógio no punho de cada um, e muitos não têm mais que um dia de vida. Um milionário do tempo, com mais de um século de vida ficou desanimado e deu seu tempo a Will, de modo que se suicidou por não ver mais motivo na vida.

Os ricos praticamente possuem a eternidade nesse filme, e os pobres estão na iminência de sua morte. Cada ato é pago com tempo e muitas vezes não resta nada, sendo a morte fatal o fim, como ocorreu com a bela mãe de Will (mais jovem que ele na aparência). Então há pessoas com 60 anos, 80, e aparência de 30, 25, coisas que seriam o sonho das pessoas que temem o envelhecimento.

Will passa as diversas fronteiras do tempo (lembra as faixas do livro Divina Comédia.) e chegando naquela área dos ricos e eternos, encontra a filha de um banqueiro, com quem tem um romance. Ela encontra seu amor bandido, porque Will é procurado por roubar tempo. A polícia diz claramente não buscar a justiça, mas sim ser guardiã do tempo.

Fato é que ao jogar poker com o pai da bela moça, se vê o protagonista ainda mais rico e eterno, sendo que ele se banha com ela no mar, momento romântico de nudez e entrega. A filha do banqueiro se aventura assim e se arrepende, por ter se entregue ao desejo. Will é detido, mas consegue fugir, e leva de refém a filha do milionário. Ambos são assaltados e têm pouco tempo de vida.

Isso lembra o acasalamento de animais referidos por Darwin, onde a competição e a vitória dos mais aptos garantem a sua reprodução. No âmbito humano vemos essa seleção natural por outros meios que não pela força, mas as barreiras sociais não são empecilho. Will em atitude heroica, barganha tempo para o povo e deixa louco o banqueiro do tempo, e nessa atitude Robin Wood ele se transforma no bom bandido.

Vemos que o filme impressiona pela originalidade e pela criatividade. Vivemos tantos clichês no cinema que fica difícil achar um filme diferente. Aqui há esse drama de ser escravo do tempo, e tempo é literalmente dinheiro. O capitalismo é darwiniano como o próprio antagonista confirma em sua fala.

Há boa fotografia, o roteiro está bom e o filme tem um ar de dualidade, quando por um tempo está na riqueza e beleza, e noutro na escravidão e feiura dos pobres. Tal relógio no punho me lembrou da marca da Besta e algo diabólico. Fato é que o herói superou a morte e numa dinâmica cristã ofereceu aos outro o que não tinha, em caridade. As pessoas vivendo muito se tornam mais fúteis e colecionadoras de quimeras e superficialidades.

O filme é claro ao demonstrar as festas da alta sociedade. Will sabe que tudo isso se sustem a custa da morte de muitos e assim busca a justiça, que é seu maior crime. Venceu os donos do poder e possibilitou a vida a todos, além dos ricos. O filme é uma boa opção para quem já se encheu daqueles que já se sabe o que irá acontecer. Aqui cada segundo é perigoso, e a morte está a espreita. Uma boa opção para boas reflexões, pois o dinheiro faz o mesmo em nossa sociedade.

21/03
A condição humana

Os questionamentos a respeito da condição humana são antigos e muitos filósofos procuraram encontrar respostas.

Para entender melhor o tema, os alunos do 1º ano se reuniram em um bate-papo na aula de filosofia para compreender as principais respostas da filosofia à questão “o que é o ser humano?”.

Por meio do debate, cada aluno tomou uma posição, defendendo-a argumentativamente e mudando de posição face a argumentos mais conscientes.

As fotos da atividade estão no Flickr do Raízes. Para ver as imagens, é só clicar aqui.

04/12
Bonito ou feio?

O professor Vagner, de filosofia, enviou um texto muito interessante sobre o que é bonito e o que é feio. Boa leitura!

A estética é um ramo da filosofia que se ocupa das questões tradicionalmente ligadas à arte, como o belo, o feio, o gosto, os estilos e as teorias da criação e da percepção artística.

Do ponto de vista estritamente filosófico, a estética estuda racionalmente o belo e o sentimento que este desperta nos homens. Dessa forma, surge o uso corrente de estética como sinônimo de beleza. É esse o sentido dos vários institutos de estética: institutos de beleza que podem abranger do salão de cabeleireiro à academia de ginástica.

A palavra estética vem do grego aisthesis e significa “faculdade de sentir”, “compreensão pelos sentidos”, “percepção totalizante”.

Assim, a obra de arte, sendo, em primeiro lugar individual, concreta e sensível, oferece-se aos nossos sentidos; em segundo lugar, sendo uma interpretação simbólica do mundo, uma atribuição de sentido ao real e uma forma de organização que transforma o vivido em objeto de conhecimento, proporciona a compreensão pelos sentidos; ao se dirigir, enquanto conhecimento intuitivo, à nossa imaginação e ao sentimento (não à razão lógica), toma-se em objeto estético por excelência.

Você acredita em padrão de beleza?

 

04/09
A profissão para quem gosta de viajar

Quem aí gosta de viajar? Mas não para outros lugares, e sim ficar passeando por pensamentos e ideias dentro da própria cabeça. É mais ou isso que um filósofo faz, mas claro que de uma maneira diferente de ficar só pensando.

Por meio de reflexões sobre o sentido das coisas e formas de enxergar o mundo, este profissional apresenta problemas e soluções para situações do cotidiano que envolvem ética, política e moral, sem contar fatos atuais.

A principal área de atuação de um filósofo é a acadêmica, mas ele também pode dar aulas em escolas, escrever livros, atuar em empresas de vários segmentos, entre outras. Uma boa oportunidade para quem cursa Filosofia é conseguir bolsas de pesquisa em universidades fora do Brasil, ou ainda atuar como tradutor de obras clássicas da literatura mundial.

O curso em si é recheado de textos e será necessário, além do grande volume de leitura, escrever bastante, porque este é o exercício básico da formação: ler, refletir sobre o assunto e depois escrever suas próprias conclusões. O aluno terá contato com as obras dos principais pensadores da história, como Platão, Hegel e Kant, por exemplo.

 

26/08
O que é estruturalismo?

É mais importante analisar as estruturas (modos de funcionamento, regras, códigos, regularidades) do que interpretar os fenômenos em si. Alguém arrisca dizer à qual corrente de pensamento esta definição pertence? Está relacionada à disciplina do professor Vagner e é este o assunto que ele enviou para o blog esta semana.

Para quem não sabe, a frase acima define o que é o estruturalismo, cujas teorias e metodologias foram muito difundidas por acadêmicos das áreas de ciências humanas e sociais durante a segunda metade do século 20.

O estruturalismo provém de duas fontes primárias: na Psicologia, com o conceito de estrutura da mente proposto pelo médico, psicólogo e filósofo alemão Wilhelm Maximilian Wundt (1832-1920), um dos fundadores da psicologia experimental; e na Linguística, por meio do trabalho do filósofo e estudioso da linguagem suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913).

Não foram só psicólogos e linguistas que utilizaram o estruturalismo em seus livros e pesquisas. Filósofos, historiadores, sociólogos e antropólogos passaram a analisar seus objetos de estudo a partir da perspectiva estruturalista.

Para citar um exemplo famoso, temos o caso do antropólogo franco-belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009), cuja bibliografia inclui os clássicos “Antropologia Estrutural I” e “II”.